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domingo, 21 de agosto de 2016

Procurando Deus na Música Popular: a casinha branca e a criação restaurada

Casinha Branca (versão:Roberta Campos)

Eu tenho andado tão sozinho ultimamente
Que não vejo em minha frente
Nada que me dê prazer
Sinto cada vez mais longe a felicidade
Vendo em minha mocidade
Tanto sonho a perecer

Eu queria ter na vida simplesmente
Um lugar de mato verde
Pra plantar e pra colher
Ter uma casinha branca de varanda
Um quintal e uma janela
Para ver o sol nascer

Às vezes saio a caminhar pela cidade
À procura de amizades
Vou seguindo a multidão
Mas eu me retraio olhando em cada rosto
Cada um tem seu mistério
Seu sofrer,sua ilusão

Eu queria ter na vida simplesmente
Um lugar de mato verde
Pra plantar e pra colher
Ter uma casinha branca de varanda
Um quintal e uma janela
Para ver o sol nascer
Eu queria ter na vida simplesmente
Um lugar de mato verde
Pra plantar e pra colher
Ter uma casinha branca de varanda
Um quintal e uma janela
Para ver o sol nascer ...

Quando o autor de Eclesiastes (3.11) afirma que Deus colocou a eternidade no coração do homem significa dizer que a humanidade sente a infinda saudade do seu Criador e da perfeita vida que tinha no Éden.

O cancioneiro da Música Popular Brasileira nos trás pérolas a respeito do coração do homem. Em muitos casos, tais artistas misturam a beleza de suas melodias com uma poesia confessional e sincera. 

Aqui temos a canção de Gilson e Joran “Casinha Branca” (1979), acima na versão atual de Roberta Campos. Ela fala sobre um terno desejo que o homem tem por uma vida simples e feliz em substituição a esta realidade triste, ilusória e sem sentido.

Infelizmente a maioria dos artistas cristãos esqueceu de cantar sobre a vida e seus dramas e de apresentar respostas verdadeiras relacionadas às canções populares recheadas de, como diria Francis Shaeffer, validade (relação sincera entre o artista e sua arte).

Poderíamos responder a esta canção dizendo que seu anseio é legítimo pois um dia esta vida bela e singela já existiu.

A Bíblia nos diz que o homem um dia viveu em uma “casinha branca” no meio da criação de Deus, plantando, colhendo, correndo pelo campo, contemplando a noite enluarada e o céu estrelado. Ao nascer do dia, lá da varanda, ele recebeu os primeiros raios do sol, em seguida “tomou um café” com a sua amada e filhos e agradeceu ao seu Criador por mais um dia ante a visita de um beija-flor na janela que também agradecia.

Nesse lugar, eu diria que o amor sempre foi a regra, lá só havia amigos mais que irmãos e jamais existiu a solidão. Em cada olhar não se encontrou tristeza, sofrimento ou ilusão. Nesse lugar a satisfação foi plena por uma simples razão: as criaturas viviam a comunhão perfeita com o seu Criador.

Claro que este paraíso perdido é muito mais complexo e belo do que descrevi, mas ele era só o detalhe da felicidade. A completa felicidade se dava verdadeiramente pelo fato do Criador estar presente, e isso dispensa as outras descrições que não fiz aqui. Um dia este paraíso há de ser restaurado. Esta vida plena e feliz com um lugar de mato verde, plantas exuberantes, quintal, janela, varanda, sol, casinha branca há de novamente existir.

Como revelou o apóstolo João, palavras de Jesus a respeito do paraíso eterno: Eis que faço novas todas as coisas (Ap 21.5).


***

Por Antognoni Misael.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

ENCONTRO E CLARIDADE (Uma canção para o Natal)


 “Encontro e Claridade” é uma canção que faz parte do “Projeto 10 Encontros”.

Sua temática está relacionada com a contrastante Graça de Deus na vida do pecador e o grande encontro que o homem pode ter com o Seu criador. Um poema cheio de trocadilhos, paradoxos e complementos. Eis a vida e seus antagonismos. Eis o Divino, o único que pode completar nosso significado de existência. Que esta canção possa clarear os bons encontros.

Encontro e Claridade

"Todo encontro tem seus desencontros
Todo canto tem seu prumo e chão
Todo cantar tem pelo menos uma canção

Todo choro cessa com alegria
Toda tempestade precede a calmaria
Toda lareira aquece o frio
Todo coração preenchido foi vazio
Isso me faz lembrar do nosso encontro

Encontro de pecado e graça
Encontro de culpa e perdão
Encontro de morte e vida
Claridade na escuridão

Todo filho pródigo retorna à casa
Todo pescador já passou por temporais
Todo peregrino um dia solta o fardo pra nunca mais (nunca mais)

Todo vinho novo quer santa folia
Toda nostalgia é boa com celebração
Toda mesa farta chama o pobre
Todo pecador, na verdade, não merece o perdão
E eu me lembro do nosso encontro

Encontro de pecado e graça
Encontro de culpa e perdão
Encontro de morte e vida
Claridade na escuridão

Todo céu escuro viu passar a estrela
Toda a humanidade recebeu visitação
Uma jovem mãe sorri segura
Seguro está, enfim, tudo em Suas mãos
O Verbo feito em carne conjugou o nosso encontro

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Cena final do clipe é resultado de uma edição da animação "Set Your Eyes" de Jonathan e Emily Martin.

Música: Misael Antognoni
Letra: Misael Antognoni, Filipe Jonhne, Marco Telles e Vilma Leite
Vocal: Misael Antognoni, Marco Telles e Vilma Leite


Direção de vídeo: César Costa

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Misael Antognoni

terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Projeto Sola - musicalidade reformada de qualidade



OS 5 SOLAS


O que são os cinco solas? O que eles representam? Por que colocamos o nome do nosso trabalho de "Sola"? É realmente necessário falar sobre isso nos dias atuais ou estamos tratando apenas de uma maneira cool de voltar às origens da reforma através de uma linguagem retrô ou um modismo hipster?

Os cinco solas foi o meio que a igreja reformada encontrou para determinar suas bases. Com o estabelecimento dos cinco solas a reforma rompeu com a hierarquia católica romana, com as heresias daquela época, e fez um vibrante e robusto caminho de volta à ortodoxia bíblica. São cinco estacas bem firmadas da fé cristã, baseadas na história de Deus revelada a nós, que servem de farol até hoje para a Igreja Cristã como um todo. Sola, em latim, significa somente, apenas. Os solas são:

Sola fide – Somente a fé
Sola scriptura – Somente a escritura
Solus Christus – Somente Cristo
Sola gratia – Somente a graça
Soli Deo gloria – Somente a Deus a glória

Somente a Deus toda a glória, que nos traz a redenção pela da graça mediante a fé. Fé esta somente em Cristo Jesus, a expressão exata de Deus, Verbo Vivo feito em carne, revelado somente na Escritura que o próprio Deus nos deixou. Pelo Espírito podemos entender tudo isso, e como Filhos do Pai, somos incluídos em seu Reino de amor, que é hoje e para sempre.

O Projeto Sola procura se firmar nessa fé ortodoxa, cada vez mais antiga e ainda assim nova a cada manhã. Procuramos uma fé bíblica no Filho do Amor. Sabemos que Ele é infinitamente maior que nós, o Deus poderoso, capaz de nos livrar de nós mesmos para uma nova vida plena de alegria nEle. Cremos que Ele e tão somente Ele, nos trouxe a redenção, e assim temos a esperança viva, e em vida. Cremos nEle, estamos firmados nEle, e em Sua graça podemos sempre descansar.

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Autor: Guilherme Iamarino
Revisão: Lucas Freitas
Divulgação: Bereianos

Músicas que glorificam a Deus, são fieis às Escrituras e edificam a Igreja, nós recomendamos! O Projeto Sola é o encontro de dois Guilhermes (Guilherme Andrade e Guilherme Iamarino).

Veja abaixo o clipe da música Redenção:

Outra música, por sinal lindíssima, é Isaias 53: 

 Você pode baixar na íntegra e gratuitamente o EP Sola - Vol. 1, aqui! Siga o Projeto Sola no Facebook: ProjetoSola

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Fonte: Bereianos.

segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Primeiros Frutos - Tronco, galhos e folhas desta árvore

Eu enfrentava um final de semana bastante corrido e exigente. O saldo até aquele momento era negativo para mim. Ao que tudo indicava, o final de semana estava vencendo. Esmorecido, com olhos pesados e me sentindo no tanque reserva da minha resistência, acordei. Eram sete da manhã. A banda toda amanhecia em Patos (PB). Eles partiram e me deixaram para trás. Eu mesmo pedi a eles na noite anterior que, a menos que eu os ligasse, eles não me incomodassem, pegassem estrada sem mim. Eu iria logo mais, atrasado. Foi o que aconteceu. Tive medo de dormir na estrada ou de não aguentar de tédio os 300 km entre Patos e João Pessoa. Pensei rápido, com o pouco de ideias que ainda me restavam, e decidi passar numa lan house antes de pegar estrada, para fazer o download de um disco que fora lançado há poucos dias. “Primeiros Frutos”, de Wellington Filho.

Eu conheci o Weelingon, que chamarei a partir de agora de Presba (ele sabe as razões), quando éramos ainda garotos. Portanto, depois de tantos anos, e mesmo que nunca tivéssemos tido uma relação próxima diariamente em nenhum período desses anos, eu estava ansioso por ouvir este disco. Sabia de seu potencial e queria provar seus “primeiros frutos”.

A viagem se tornou muito mais agradável e, durante os 300km de chão à minha frente, pude manter-me focado em analisar tronco, galhos e folhas dessa árvore. É com muita alegria que trago a vocês minhas percepções acerca do disco. Pode encarar como crítica mesmo. Não tenham medo. Criticar é necessário.

Do geral:

Eu qualificaria como um disco folk brasileiro com influências em algumas faixas do bom rock progressivo e uma influência de baião na primeira canção (No Começo – João 1). Também está encharcado de sugestões do espectro da música cristã que chamaria de “galera do espontâneo”. Me refiro a Misty Edwards, Morning Star Worship, Kim Walker, David Crowerd Band, Jason Upton.

O violão de Presba leva a banda o tempo inteiro com um estilo marcante e decisivo nos direcionamentos das canções. O restante da banda é formado por uma guitarra, um baixo e a bateria. Bem reduzido. Não tem participações nem instrumentos solos (exceto a guitarra já citada). Seu formato musical é tão simples e direto que me lembrou de uma professora de matemática que tive no primeiro ano médio. Ela fazia parecer fácil. Eu saia da aula com a sensação de que tinha entendido tudo. Os professores anteriores podiam até me deixar de cara no chão com a grande quantidade de conceitos e o exibicionismo de seus amplos conhecimentos matemáticos, mas eu saía sem entender nada. Portanto, a banda é agradável, suave o tempo inteiro e sensível.

A voz de Presba é um descanso para os meus ouvidos tão molestados pelos agudos tenores que encharcam o mercado fonográfico da música cristã. É um barítono que não se vê na obrigação de forçar notas agudas para além de sua capacidade só porque o mercado gosta assim. Ele passeia no médio grave o tempo inteiro deixando bem claro que conhece seu terreno e não inveja o terreno alheio.

A captação do projeto foi, como ele mesmo explica em um vídeo postado no hotsite do disco, uma gravação “ao vivo em estúdio”. É um formato que foi amplamente utilizado no passado, mas que aos poucos deixou de ser interessante por conta da busca incansável pela produção sonora perfeita. Sem ruídos, sem respiração, sem semitonadas, sem vazamentos. Isso tudo acabou criando uma fórmula para o CD “Barbie”. Perfeito, mas de plástico. As curvas e o cabelo estão no lugar, mas não respira. Hoje percebo uma tendência cada vez mais difundida entre as novas bandas de se voltar para o que conhecemos como música orgânica. Essa parada é massa. E não poderia ter sido captada em um ambiente mais propício. Foi no estúdio Peixe-boi, que já faz esse tipo de captação há um bom tempo e possui um dos maiores profissionais de nosso estado na nave de edições, Marcelo Macedo. Aliás, meu primeiro disco foi gravado lá, há muitos anos atrás, direto do túnel do tempo. A mixagem ficou excelente e as timbragens de violão e batera são de surpreender, quase padrão gringo (eu disse “quase”). Porém, a máster não tá tão legal. Acredito que não se deu tanta atenção aos volumes de uma faixa com relação à outra e, principalmente, percebo uma “quase distorção” quando o volume está muito alto.

01. No Começo (João 1) 

Começa assim. Um, dois, três, valendo! Sem introduções ou preparação. A grave voz de Presba se une ao acorde natural do violão e: “No começo(só) tinha uma palavra”. É a faixa com influência do baião. Ele escolheu o texto certo (ou o texto certo o escolheu). É tão honesto, doutrinário e poético!

“a palavra sangrou e viveu entre nós, e nós vimos a sua Glória, o Verbo de Deus”.

A linha de baixo esta bem atraente nessa faixa.

02. Só Pode Ser Jesus

Ainda estou querendo entender se é country ou Rock, ou dance. Para nenhum dos três estilos ficar triste, é os três de uma só vez. É impossível não sorrir ao ouvir essa faixa. É impossível não mexer os ombros como se estivesse na década de 30 (onde a dança era praticamente uma mexida de ombro ritmada).

Tem um solo de guitarra totalmente “irresponsável” e desleixado. Isso foi um elogio. Não dava pra ser um solo organizado e educado aqui. Não dava mesmo. Parabéns ao guitarrista por “jogar” desse jeito nessa faixa. Não acho que foi o melhor timbre, mas a gente supera essa.

A letra parece ter sido escrita por uma adolescente apaixonada pelo “príncipe encantado”. É de revigorar a alma. Me senti como se estivesse gravando aqueles comerciais de pastilha que quando você coloca na boca tudo em volta refresca.

Ele respira no meio de uma palavra! Louco! Kkk

Ele é o fo(respira)ogo, que arde no meu coração”.

É dessa humanidade que estamos precisando na canção cristã, cheia de questionável perfeição.

03. Você Me Encontrou

A música balada do disco. Essa canção começa a carregar o conceito central do projeto. Se você assistir ao vídeo do Presba (Wellington Filho) acerca desse CD você vai compreender que o projeto desse disco envolve campanha de adoção. Ele possui um filho adotivo e tenta trazer para suas canções conceitos espirituais de nossa própria adoção em Cristo. É tão honesto focar nessa doutrina. Hoje se canta de nariz empinado acerca de nossa filiação. Parece que somos filhos nascidos naturalmente de Deus. Mas não somos. Foi algo não natural. Fomos enxertados, fomos encontrados e por sua graça fomos aceitos como filhos. As canções de Presba parecem muito mais vindas de um peregrino constrangido contando como foi parar em uma família mesmo sem merecer, do que vindas de algum almofadinha que despreza cada centímetro da casa que mora, considerando entediante o convívio familiar no qual nasceu.

O peregrino Presba, adotado em Cristo pela graça, canta com cabeça baixa e olhos arejados:

“Você me encontrou à beira do caminho 
Você me encontrou desde então não sou sozinho 
Pois um sorriso em minha boca 
Esperança em meu coração 
Em meus lábios uma nova canção 
Estava perdido e fui achado 
Estava cego e agora vejo 
Estava morto e agora eu vivo só pra Ti”

04. Você Já Veio Aqui

Chegou a minha canção preferida. O Presba já lançou um vídeo no seu canal do YouTube com essa canção há alguns anos atrás. Maltratei o replay por longas semanas. É tão sincera, tão singela.

Eu não sei bem se cabe nesse texto falar de como o Presba sofreu em suas relações familiares. Mas já falei. Em seus decretos Soberanos, Deus acabou por infringir alguns sofrimentos no pequeno Presba por separá-lo de sua mãe de uma maneira tão dolorosa, e tão cedo. Separando-o também do convívio paterno quando ele mais necessitava. Se você tem esse pano de fundo, se conhece um pouco das raízes dessa árvore, acaba por ouvir essa singela canção por um prisma diferente.

“Eu sempre quis te falar 
Já se passou tanto tempo 
Você já deve saber o que passa aqui dentro 
Você Já veio aqui 
Tantas vezes eu ri 
E outras vezes chorei 
Eu sei que você já sentiu 
Sabe o que passa aqui dentro 
Você já veio aqui”

Me senti como quando eu era criança e brincava de ouvir as conversas da família pegando outra linha de telefone. Eu fazia isso com muita frequência na casa da minha vó, que era enorme e tinha vários telefones espalhados pelos quartos, sala e cozinha. Sempre que alguém estava em uma conversa eu corria pra outro ambiente e pegava outro telefone. Ficava lá, ouvindo uma conversa que não tinha nada a ver comigo.

Escutar “Você já veio aqui” me fez ter essa mesma sensação, de estar escutando uma conversa que deveria estar restrita a duas pessoas. A diferença, no entanto, é que essa conversa tem tudo haver comigo também. Essas palavras poderiam facilmente ter sido ditas por mim. Que também ri muitas vezes, chorei inúmeros momentos.

A proposição dessa poesia de Presba é a mesma do autor de Hebreus em 4.15: “Pois não temos um sumo sacerdote que não seja capaz de compadecer-se das nossas fraquezas, mas temos o Sacerdote Supremo que, à nossa semelhança, foi tentado de todas as formas, porém sem pecado algum.” Me sinto profundamente seguro quando me lembro desta lição cristã, temos alguém que sabe do que estamos vivendo, ele já veio aqui.

“Você passou pelas mesmas tentações 
Você chorou por um amigo que partiu 
Você sorriu brincando com seu pai 
Você veio aqui 
E você é Santo, nunca vacilou 
É poderoso, você ressuscitou 
Você é doce 
Você morreu por mim”.

Obrigado Presba, por essa canção. Muito obrigado mesmo.

No final da música, minha grande decepção: ela termina em fade out !! Quase jogo o carro pra cima de um caminhão na estrada de tanta raiva! Sou paranoico com esse negócio de fade out. Talvez porque eu fique pensando que em algum momento a banda terminou de tocar e eu não pude saber como foi isso. Talvez por acreditar piamente que uma música que começou merece um arranjo de finalização nem que seja “pata pata pa pixxxx”.

Essa semana passada estava no estúdio gravando uma canção com alguns amigos, que lançaremos no natal. E ai um deles sugeriu: A gente poderia terminar com um fade out! Eu falei meio transtornado: “Nada de fade out!”. Foi ai que percebi que tenho um problema. Lembram da Edna Modas, do filme “Os Incríveis”? Uma estilista paranoica com as capas das roupas de heróis. Ela gritava: “Nada de Capas!” Tô com algum transtorno paranoico com fade out.

Termino meus comentários dessa minha canção favorita parabenizando os efeitos Slides do guitarrista. Ficaram perfeitos.

05. Não Pare de Escutar

Essa canção faz um par perfeito com a anterior. “Você Já Veio Aqui” é quando Presba pega o telefone e conversa com o Pai (enquanto eu trollo tudo ouvindo da outra linha). Em “Não Pare de Escutar”, Deus responde. Que par perfeito.

“Ei, você que esta me ouvindo 
Não Pare de Escutar 
Ei, você que esta me ouvindo 
Eu tenho algo pra te falar 
Que o meu amor é bem maior do que você pensa 
E o meu perdão é na verdade o que te sustenta 
Eu sempre falei, mas as vezes você não ouviu 
Eu sempre falei, mas as vezes você fugiu 
Eu sempre falei, mas você estava longe 
Te amei e vim viver nesse mundo aqui 
Eu precisei sofrer, morrer por você enfim 
Mas eu ressuscitei 
Gritei pra que você pudesse me ouvir”

Musicalmente falando, o clima continua tão intimista e singelo como antes. Mas agora temos uma letra carregada de graça. Cristo anunciando de maneira pessoal sua graça em vir nos salvar, por amor. Sua submissão e resignação em, finalmente, ter que morrer para o cumprimento cabal de sua obra.

Quando ouvi Presba cantar a primeira frase da música: “Ei, você que esta me ouvindo, não pare de escutar”, falei em voz alta no carro: “Não paro mesmo! Só não me entregue outro fade out, por favor!”

06. Pertenço a Ti

Nessa faixa comecei a ficar com problemas para dirigir. Ela tem as influências progressivas. A cada passo que a canção te leva a dar, você sente que esta um pouquinho mais acima do chão. No final da música não vemos mais o solo. Que beleza!

Os arranjos de guitarra estão excepcionalmente admiráveis nessa faixa.Quanto ao que se canta:

Eu pertenço a Ti Senhor Jesus que me buscou e me encontrou (a adoção novamente aqui)
Eu pertenço a Ti, oh doce Deus que se humilhou e se entregou 
E eu, pertenço a Ti Sou totalmente Teu”

Essas frases me lembram de uma das doutrinas reformadas que mais me arrebatam de meus anseios e tribulações. A doutrina da “Segurança dos Santos” (ou “Perseverança dos Santos”). O mesmo Deus que com seu imenso poder se humilhou e, em solo humano, pagou o devido preço pelos pecados do seu povo, o mesmo Deus que por seu Santo Espírito regenerou seus eleitos para a condição de filhos é o mesmo Deus que com sua destra forte não permitirá que nenhum dos que Ele comprou se percam. Ele é o Deus que preserva os seus filhos em suas mãos e nada nem ninguém pode duelar com seu poder na tentativa de nos arrebatar de si. Não existe poder no céu ou na terra, ou mesmo debaixo da terra que se habilite para lutar com Deus por nossas vidas. Louvado seja o Senhor.

“Eu fui perdoado 
Eu fui restaurado 
Eu pertenço ao meu Senhor 
Eu fui redimido 
Fui justificado 
Eu pertenço ao meu Senhor 
Eu fui escolhido 
Eu fui adotado 
Eu pertenço ao meu Senhor”

Cantar essa canção com Presba no carro foi só o começo para as sensações que me invadiriam na próxima faixa, que, diga-se de passagem é grudada nesta.

07. João 6.68

Ah! Deixa eu ver se consigo falar alguma coisa sobre essa canção. É difícil. Não da pra ser justo com ela. Acredito que três páginas sobre os dois simples versos, que compõem essa canção, não fariam justiça a ela e ao que ela me fez sentir.

Só uma coisa, não aconselho ninguém a dirigir com essa canção no maior volume. É perigoso. Cantei com toda a força da minha alma. Deixei os olhos lacrimejarem, deixei os pulsos se cerrarem quantas vezes lhes parecessem certo fazê-lo. Deixei a alma vagar livremente pelo santo terreno da maravilhosa graça oferecida a pecadores eternamente condenados.

Se não fosse o teu amor 
Se não fosse a tua atenção 
Se não fosse o teu carinho, Jesus


Eu já estaria morto 

Como eu posso Te deixar? 
Só Tu tens as palavras de vida eterna

Parabéns banda, por não inventarem mais nada além do básico, do velho e bom rock quadrado. Esses dois versos não precisavam de mais nada para soarem tão forte e intenso aos nossos ouvidos. Aliás, olhando a ficha técnica, percebi que a produção do disco não é do Presba sozinho. Ele contou com o apoio do Ygor Mass. Pra quem não sabe, é o baixista da banda “9graus”. E ele, mais do que ninguém, sabe o valor de um rock repetitivo e quadrado. Ele sabe como construir a progressão dessa parada. Essa simplicidade desta canção vale muito.

Tenho cantado esses versos desde que cheguei em casa da viagem. Não me sai da lembrança. Exatamente em 2.48 Presba dá uma embargada na voz, como quem quase chora. Não aguentei. Ele embargou a voz e eu quase sou transladado no meio do sertão! Kkk

Tive a sensação de que aqueles versos não deveriam parar nunca de soarem. E então... fade out. Quando começou a abaixar o volume lentamente pedi aos montes que se lançassem por cima de mim! Por que, meu Deus?!

08. Confiança

Balançada pelo violão, tem uma forte influência do folk. Acaba sendo a música mais pop do disco. É boa, mas tive um leve levantar de orelhas quanto à poesia.

“Eu quero ter a confiança que você me deu 
No princípio quando me formou 
Quando eu não me preocupava tanto em duvidar 
Mas somente em descansar

Ao que exatamente ele esta se referindo? Acredito que a confiança que recebemos no princípio, meio que sem muitos questionamentos, é amadurecida ao longo de nossa caminhada. De modo que o “duvidar” passa a ser parte da jornada. Não um duvidar de desprezo à fé. Antes, um duvidar de questionar em função de um maior crescimento. O que estou querendo dizer pode ser elucidado melhor se nos lembrarmos do testemunho que Lucas dá acerca do crescimento de Jesus em sua juventude: “e crescia Jesus em sabedoria e em estatura e em graça diante dos homens” Lc 2.52.

De modo que, se ao escrever isso, Presba sugere que o duvidar é de todo ofensivo, então eu discordo. Mas se ele diz sobre o duvidar de “desconfiar da provisão de Deus” (o que me parece a opção mais coerente com o refrão da música), então está correto.

“E mesmo sem perceber 
Eu podia confiar que tudo tem seu tempo e seu lugar 
E vendo a criança dançar eu pude perceber que ela sabia 
Que o amanhã Deus proverá


O amanhã e o seus problemas não me assustam mais 

Eu aprendi que o depois pertence ao Pai 
Eu busco o Reino e a confiança me é acrescentada 
E o agora é quando o Pai quer me encontrar”

Portanto, acredito que a intenção de Presba era falar sobre uma confiança na provisão de Deus. Mas decidi fazer o comentário por saber que nos dias de hoje se tem uma verdadeira sina por desprezar o conhecimento dentro da igreja, assim, todos que duvidam, questionam, ou perguntam são constrangidos, e amordaçados. Como se o embate fosse de todo uma ofensa. Esses poderiam interpretar essa canção por esse viés que proponho e dizer: “É isso mesmo! Temos que parar de perguntar de mais, de duvidar de mais, de ler de mais e simplesmente confiar!! Calem-se todos os bagunceiros teológicos!”. Esse é o meu medo. Mas acredito que não foi a intenção de Presba.

09. Meu Amor

Que violão bem executado é esse na abertura da canção? Nos primeiros 10 segundos você percebe que esta diante novamente de uma nova oportunidade para flutuar.

“Você me adotou por Jesus, meu Amor maior”

A reviravolta rítmica do meio para o fim é interessante. E me fez voltar ao tempo que, na minha loucura neo-penteca, me via por horas cantando o amor de Jesus. Estão vendo? Não foi de todo ruim ter sido um louco neo pentecostal.

Presba, se você estiver lendo minha crítica, saiba que eu não vejo a hora de lhe ver tocar essas canções ao vivo, eu passarei quantas horas você julgar necessário cantando:

“E só Tu És 
E não há outro 
Tu És o meu amor, o meu amor....”

Finalizando:

Agradeço a Deus por ter ouvido este disco e visto o quanto meu querido irmão cresceu em conhecimento musical, em sensibilidade espiritual e como homem. Parabéns a todos os músicos e técnicos. O que temos diante de nós, senhoras e senhores, é um álbum autêntico, sensível e verdadeiro. Temos, na verdade, um transporte confortável e eficiente em nos levar a lugares de reflexões intimistas profundas.

Portanto, compre o ticket. Pague o que achar que vale. Faça o download. Lembre-se desse nome quando for fazer um evento em sua igreja. Quando quiser oferecer algo de qualidade e subversivo aos irmãos de sua congregação: Wellington Nascimento.

Espero do fundo do coração que estes tenham sido, de fato, apenas os primeiros frutos, porque pretendo me alimentar ainda mais de sua arte e de sua paixão à Cristo.

Com carinho,

Marco Telles
(eu odeio fade out) 

 ***
Fonte: Face do Wellington Nascimento.

Marco Telles é um dos organizadores do Candiêro Teológico, pastor da Comunidade Reformada Evangelho do Reino (CRER) e desenvolve um trabalho musical relevante na Paraíba, sempre associando a música com o conteúdo teológico.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O louvor liberta?

Este assunto é oportuno pelo fato de ainda existir uma máxima no meio evangélico de que o louvor liberta. Mas, será que ele liberta mesmo? Um ímpio que passa a louvar em forma de cântico pode ter sua vida libertada do pecado e tornar-se um regenerado? Pois bem, antes de tudo vamos “acender o candiêro” e relembrar o que a Bíblia nos diz sobre o que é louvor.

O escritor de Hebreus nos dá uma dica importante ao dizer que louvor é ‘fruto dos lábios daqueles que confessam o nome de Jesus’ (Hb 13.15). Portanto, tudo que resulte numa confissão da divindade de Cristo, da excelência das obras e glória de Deus, e da presença de Jesus na vida de uma pessoa, é louvor.

O louvor é uma expressão daquele que foi regenerado, e não uma expressão para regenerar. Se atribuirmos essa qualidade ao louvor estaremos mistificando-o e colocando-o no lugar de Deus. “Então quer dizer que o louvor não liberta"? Não. Quem liberta é Cristo. Como bem disse o nazareno, “se Eu vos libertar verdadeiramente vocês serão livres” (Jo 8.36).

Talvez, alguém relute com esta ideia e traga como argumento o exemplo Davi tocando harpa para Saul a fim de alegar que o louvor libertou-o. Mas, será se Saul foi realmente liberto pelo louvor ministrado por Davi? Vejamos o texto:
“E quando o espírito maligno da parte de Deus vinha sobre Saul, Davi tomava a harpa, e a tocava com a sua mão; então Saul sentia alívio, e se achava melhor, e o espírito maligno se retirava dele” (1Sm 16.23).
Bem, o que sabemos diante dessa história é que Saul obteve temporariamente alívio devido a presença do espírito santo em Davi, mas não foi liberto. Isto porque repetidas vezes o espírito mau veio sobre ele e o problema não foi resolvido.

No capítulo 19 de 1 Samuel, Saul planeja tirar a vida de Davi e no capítulo 24 vai ao encalço dele para mata-lo. Eis a prova, o louvor não libertou Saul!

Por causa deste e de outros exemplos temos outra questão a ser redefinida: muitos ainda associam unicamente o louvor a música. Louvor é louvor. Música é música. Contudo, a música pode ser uma expressão de louvor como foi por muitas vezes tanto no velho testamento, quanto na igreja primitiva. Ora, o apóstolo Paulo escrevera vários textos em forma de hinos, como Filipenses 2.6-11 e 1 Timóteo 3.16, bem como indicou o louvor através de canções a algumas igrejas, como fez aos colossenses: “louvem a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração [Cl 3.16]”.

Então chegamos as seguintes conclusões: louvor não liberta; louvor não é música, mas a música pode ser uma expressão de louvor.

Pois bem, antes te apagarmos o candiêro, vale uma observação. Entendamos que Deus tem seus meios de alcançar o pecador, certo?, e nada pode impedi-Lo de utilizar um louvor que traga o Evangelho de Jesus para libertar um pecador. No entanto, não esqueçamos... quem libertou não foi a canção (ou louvor), e sim Cristo.

***

Misael Antognoni.
Texto inspirado na Reformusic (Igreja Batista de Jataúba-PE), junto com o parceiro André Luis.